Eixo I

A escola e os sujeitos do ensino Médio: Um olhar para o redimensionamento da prática pedagógica.

Objetivo: Resgatar a identidade da escola e dos sujeitos do ensino Médio, visando o redimensionamento da prática pedagógica.

Período: Maio a Agosto de 2014


ETAPA I – CADERNO I
Sumário
1.Ensino Médio – Um balanço histórico institucional / 6
1.1 O Império / 6
1.2 A República / 8
1.3 Os anos 1930, o Estado Novo e as Leis Orgânicas do Ensino / 10
1.4 Do fim da ditadura Vargas à ditadura civil militar: dos anos 1950 aos anos 1980 / 14
1.5 Da redemocratização ao período atual / 17
2. Desafios para o ensino médio / 20
2.1 Quadro geral do ensino médio: o que nos dizem os indicadores sociais / 20
3. Rumo ao Ensino Médio de Qualidade Social: as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, o Direito à Educação e a formação humana integral / 23


4. Outros desafios às Políticas públicas de Ensino Médio / 30

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Reflexão e ação pg.26
A partir da reconstrução histórica aqui apresentada, identifique — individualmente e em grupo — os desafios que permanecem para o ensino médio na realidade brasileira e levantem possibilidades de explicação para eles.


OS DESAFIOS  PARA O ENSINO MÉDIO

  1. Dar continuidade ao processo de desenvolvimento intelectual e social do estudante iniciado no Ensino fundamental.
  2. Proporcionar o aprofundamento de temas abordados nas diversas disciplinas no Ensino Fundamental.
  3. Apresentar as disciplinas ditas tecnológicas como,  Física, Química e Biologia, inseridas na  realidade concreta do estudante.
  4. Proporcionar o desenvolvimento do “Espírito Científico” através de atividades lúdicas, colocando a feiras de ciências, como o resultado de trabalhos desenvolvidos durante o ano letivo.
  5. Tornar mais próxima a relação entre professores e alunos, para contribuir com um programa de iniciação científica, abrindo uma gama de possibilidades para a produção de trabalhos que possam ser publicados em revistas, jornais, etc.
  6. Contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de produção intelectual dos professores, visando sua  valorização.
  7.  Oferecer um ambiente adequado para o desenvolvimento de uma prática pedagógica inclusiva,  eficaz e sustentável.
  8. Apresentar um cenário de possibilidades aos estudantes,  com o aparelhamento correto da escola, podendo assim,  contribuir para o desenvolvimento de habilidades e competências requisitados pelo mundo do trabalho.
  9. Contribuir para o desenvolvimento de uma atitude urbana dos atores envolvidos no processo educacional.
  10. Contribuir para uma cultura do bem.

Comentário de uma professora sobre os desafios

“De modo geral, professores e alunos, aqui onde trabalho, possuem um bom relacionamento. Contudo, também é verdade que, às vezes, alguns professores e muitos alunos não sabem o que estão fazendo na escola. Alguns professores não acreditam que o sistema público de educação ainda possa dar bons resultados. Quanto aos estudantes, não sabem qual o papel da escola e qual o seu (estudantes) papel na escola. Por isso há sim, infelizmente, um jogo em que ambos os lados procuram culpados. Embora não resolva as dificuldades da educação, apontar o outro como único culpado parece aliviar a própria culpa.

Como são muito jovens e imaturos, os estudantes que não possuem acompanhamento familiar não entendem o papel da escola. Por isso, a instituição passa a ser apenas um “local de encontro”. Ou seja, a possibilidade de socialização parece ser a razão principal da escola e do estar na escola. Daí a importância de haver conversas em sala de aula sobre o papel da escola, do professor e do estudante. Relatos de experiências de convidados – de preferência ex-alunos da instituição, palestras sobre mercado de trabalho e cursos superiores, palestras com profissionais das diversas áreas, dentre outras atividades podem contribuir para ampliar o entendimento do aluno quanto ao papel de formação humana e intelectual que cabe à escola.

Estudantes que fazem cursinho e/ou trabalham podem contribuir bastante em rodas de conversa para despertar e ajudar os demais alunos a definir objetivos para sua vida escolar. Isso daria sentido ao estar na escola e ao processo de ensino e aprendizagem.

Acrescento ainda que, ao conhecer o perfil do aluno, seus interesses na escola e fora dela, o professor poderá rever os conteúdos e metodologias sugeridos no programa de curso. Assim a escola não estaria desconectada do cotidiano do aluno, nem nivelaria por baixo, já que procuraria contribuir e alargar o horizonte de expectativas de vida do aluno.” PR1

ETAPA I - CADERNO II

Sumário 
Introdução / 5
1. Construindo uma noção de juventude / 9 
1.1 E o que seria então a juventude?  / 13
2. Jovens, culturas, identidades e tecnologias / 18 
2.1. Jovens em suas tecnologias digitais / 23
3. Projetos de vida, escola e trabalho / 31 
3.1. A relação dos jovens com o mundo do trabalho / 35 
3.2 Os jovens, os sentidos do trabalho e a escola  / 37 
3.3. A juventude no território / 40
4. Formação das Juventudes, participação e escola / 46 
4.1. A relação dos jovens com a escola e sua formação / 48 
4.2 Os jovens e a escola / 50 
4.3 Os sentidos e significados da escola para os jovens / 51 
4.4 Razões da permanência e do abandono escolar / 55 
4.5 A questão da autoridade do professor, a indisciplina / 56
4.6 Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa... Será? / 57

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

Reflexão e ação

Construção do perfil do estudante do Colégio Modelo de Itabuna

PERFIL DOS ESTUDANTES

No Brasil, a partir de 1996, o Ensino Médio brasileiro passou a atender uma diversidade de alunos provenientes dos mais variados setores da população. Antes disso, um número bem menor de jovens chegava até esta etapa do ensino, uma vez que o chamado “primeiro grau” era considerado o final da Educação Básica. Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 (Lei nº. 9.394, de 20/12/96, artigo 21), o Ensino Médio tornou-se a etapa final da Educação Básica e concedeu mais oportunidades para os jovens no Brasil.
Atualmente, milhões de jovens brasileiros conseguem continuar seus estudos, ampliando seus conhecimentos acadêmicos e conquistando, assim, melhores chances de inserção no mercado de trabalho. Apesar do amplo acesso da população jovem ao Ensino Médio, este nível de ensino não está isento da situação de crise que acomete a escola e a educação como um todo – uma crise do sentido do ensino e de seus objetivos, uma crise que põe em evidência o desafio à autoridade docente e ao seu papel social diante de uma diversidade de estudantes e interesses.
Nesse contexto, a escola, para atender as necessidades do jovem na atualidade, precisa estabelecer relação com a condição do jovem, a utilidade social dos seus estudos, o sentido dos conhecimentos obtidos e sua aplicação nos seus projetos futuro.
O Colégio Modelo de Itabuna funciona nos três turnos e atende a uma clientela bem diversificada. Além do Ensino Médio regular, ele também atende a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Assim, faz-se necessário realizar uma análise do perfil dos alunos que buscam essas duas modalidades.

Alunos do Ensino Médio Regular
            O Colégio Modelo atende a estudantes moradores dos bairros entorno da escola, de bairros distantes e de cidades circunvizinhas. Em sua maioria, cerca de 90% dos estudantes do noturno, são moradores de bairros do entorno da escola, já os estudantes do diurno são moradores de bairros do centro, de bairros distantes e de cidades como Itajuípe, Buerarema, Itapé, Uruçuca etc.
Em relação a idade observa-se que não há um distorção idade/série, uma vez que 33% dos alunos encontram-se entre 14 e 15 anos, 40% entre 16 e 17 anos, 20% entre 18 a 20 anos e 7% dos alunos encontram-se entre 21 e 25 anos de idade. Dentre estes se observa que há uma predominância do sexo feminino com 55%.  Em relação ao estado civil, 87% são solteiros, 4% são casados e 9% responderam outras situações. Destes, 95% não tem filhos. Este dado se constitui em uma importante informação, já que há alguns anos esse percentual era bem menor, fazendo com que muitos desses estudantes desistissem do estudo para trabalhar e sustentar a família criada.
Observa-se que a maioria dos estudantes é oriunda da classe baixa e 49% tem uma renda familiar de um salário mínimo, 25% possui renda de dois salários mínimos, 15% de três salários, 6% de quatro salários a mais e 5% com menos de um salário. Tais dados corroboram com o nível de escolaridade dos pais desses alunos, os quais apresentam, em sua maioria apenas o ensino fundamental incompleto. Entretanto, em relação a residência e quantidade de pessoas que moram com ele na residência pode-se observar que o maior percentual fica em torno de 3 a 5 a pessoas por residência (Figura 1).







Figura 1 – A) Residência e B) quantidade de moradores na residência.

Quando o jovem chega ao ensino médio, muitas vezes os responsáveis enfrentam grandes dificuldades para acompanhar os filhos no processo escolar, assim, nesta etapa de descoberta e crescimento, o papel da escola fica ainda mais importante e a responsabilidade dos professores cresce. Isso acontece tanto no ensino médio diurno quanto no noturno, em que, como já citado não há tanta diferença em relação a idade e, sim, a sua condição profissional, pois muitos alunos do diurno estão migrando para turno noturno devido a necessidade de inserção no mercado de trabalho ou em estágios remunerados.
Em relação aos objetivos dos alunos ao cursar o ensino médio percebe-se que a maioria, ou seja, 70% desejam fazer o ENEM, 16% concluir o ensino médio e 14% permanecem indecisos (Figura 2A). Dos alunos entrevistados 59% só estudam, 40% trabalham e estudam e 1% faz estágio (Figura 2B). Contudo, ingressar no ensino superior mostrou-se uma expectativa mais presente entre os alunos que cursam o ensino médio no período diurno. Já os estudantes trabalhadores ou em busca de emprego, que estão no período noturno, desenvolvem a representação de que a escola está diretamente relacionada à possibilidade de ascensão social, ser alguém na vida, ter um futuro melhor. 







Figura 2 – Gráficos do objetivo dos alunos no ensino médio e das atividades extraclasse dos alunos.

Observa-se, a crença de que a escola possibilitará melhores oportunidades de ser alguém na vida ou de ingressar no mercado de trabalho. Almejar o ingresso no Ensino Superior também é razão apontada por 70% dos alunos, sendo que apenas 6% declararam que estão na escola porque foram obrigados ou por insistência dos pais. Destes, 90% acreditam que precisam do ensino superior para conseguir um bom emprego.
Diante dessa constatação, fica claro que a escola deve preparar o aluno tanto para o mercado de trabalho, quanto para enfrentar os desafios que se colocam, hoje, no auge de uma economia globalizada, competitiva e recessiva. Essa não é uma tarefa fácil, sobretudo quando se leva em conta a grande expectativa dos estudantes quanto à escola, vista por alguns como a única possibilidade de ser alguém na vida. Os estudantes que admitiram desejar cursar o ensino superior e continuar estudando, apontam dificuldades financeiras para ingressar na universidade, constitui importante contraponto diante dessas idealizações.
Em relação ao uso da tecnologia, os estudantes já a utilizam em diversos contextos de sua vida, principalmente a internet. Quanto ao acesso a internet, os estudantes de modo geral o fazem em casa ou através do celular, 51% e 33% respectivamente (Figura 3), possuindo uma média de 2 horas por dia.












Figura 3 – Gráfico representando o acesso dos estudantes a internet

Verificou-se que a maioria dos alunos tem acesso à internet, mesmo aqueles oriundos de famílias com rendas mais baixas, o que facilita muito o processo de ensino-aprendizagem, pois possibilita que o aluno pode fazer pesquisas, downloads de artigos entre outros. Mas essa mesma tecnologia, que muitas vezes é aliada, pode também ser uma adversária, sobretudo quando o assunto é o uso do celular. Observa-se que alguns acabam se dispersando das aulas por causa do seu uso indevido, principalmente aqueles que demonstram desinteresse. Tanto os alunos do noturno, como os do diurno sofrem a influência da internet em seu cotidiano escolar, e ainda não sabem administrar esse recurso de forma a beneficiá-los e isso tem atrapalhado o rendimento deles em sala de aula e, consequentemente nas provas. Entretanto, 91% afirmam que sabem utilizá-los.










Figura 4 - Uso de ferramentas e recursos pelos estudantes do ensino médio. 

Quando questionados sobre as principais fontes acessadas na internet para desenvolver seu conhecimento, os estudantes apontaram as edes sociais como a mais importante (Figura 5).



Figura 5 - Principais fontes acessadas pelos estudantes do ensino médio. 
Apesar de o estudante dedicar muito do seu tempo navegando em sites de relacionamento e com a manutenção de perfil das comunidades virtuais, não dominam o uso de editor de texto para elaboração de pesquisas e não sabem como realizá-las com eficiência.
Em relação a aprendizagem, propriamente dita, infelizmente, existem casos de alunos que chegaram ao Ensino Médio, mas não sabem ler, nem escrever. Há ainda muitos que sabem ler, mas não compreendem o texto lido e apresentam muita dificuldade na escrita e consequentemente não conseguem acompanhar as atividades propostas. Esse grupo não apresenta as habilidades necessárias para viabilizar o seu desenvolvimento pessoal e profissional.   
Sabe-se que a leitura é a base do conhecimento, assim percebe-se que a quantidade de livros lidos pelos alunos se constitui fator decisivo no processo de ensino aprendizagem.  Na figura 6 pode-se observar que 51% dos alunos não responderam a essa questão, ou seja, possivelmente não leram nenhum livro no ano.









Figura 6 – Quantidade de livros lidos pelos alunos no ensino médio.

Como resultado dessa variedade de elementos que constituem o perfil desses alunos, temos uma realidade bastante complexa nessas turmas, fácil constatar que problemas com a dificuldade na aprendizagem, podem desencadear muitos outros agravantes como a baixa estima, frustração, desesperança, desinteresse, que refletem, muitas vezes, em comportamentos antissociais, como por exemplo, a violência e a indiferença. Em relação a participação em atividades sociais e culturas fora da escola, a maioria dos alunos participa de movimentos religiosos ou culturais. Cerca de 95% declararam ser cristãos católicos ou evangélicos, e a minoria de 5% declararam ser espíritas, do candomblé ou sem seguimento religioso.
Em relação a permanência da escola, a grande maioria demonstra gostar do espaço porém, não gostam de ficar em sala de aula, mas se interessam por atividades de campo, oficinas do PROEMI.

Alunos da Educação de Jovens e Adultos
Com base nos dados coletados, por meio da observação por parte dos docentes e pelas respostas dos alunos a questionários realizado em classe, foi possível traçar o perfil dos discentes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) em duas turmas do turno noturno.
A EJA é uma modalidade de ensino oferecida pelo Colégio Modelo Luís Eduardo Magalhães, voltada para pessoas com idade acima de dezoito anos que não tiveram acesso, por algum motivo, ao ensino regular na idade apropriada.
Em 2014, do total de alunos matriculados, 50% são do sexo masculino e 50% do sexo feminino. Os dados deixam claro que na Educação de Jovens e Adultos, não há predominância de nenhum gênero. No que se refere a faixa etária dos alunos matriculados na EJA, observa-se que dos 80 alunos, 56% encontram-se na faixa entre 18 e 21 anos de idade, 36% entre 22 e 30 anos e 8% acima de 30 anos, demonstrando uma procura maior de estudantes que poderiam cursar o ensino médio regular.
Os alunos dessa modalidade de ensino que buscam a escola, de modo geral, pertencem a uma classe social com baixo poder aquisitivo e querem obter o certificado do ensino médio de forma mais rápida. A maioria dos alunos concluiu o Ensino Fundamental no Bairro Lomanto na escola Armando Freire e alguns na Escola Municipal Lourival Oliveira Soares e ficaram sem estudar um tempo. O objetivo da volta à escola, segundo a maioria dos alunos pesquisados, é para continuar os estudos, concluir o Ensino Médio com o intuito de conseguir um trabalho ou melhorar a situação econômica na qual se encontram. Quase sempre seus pais têm ou tiveram uma escolarização inferior à deles.
Constatou-se que 55% dos estudantes da Educação de Jovens e Adultos que responderam ao questionário estão empregados e são obrigados a conciliar o emprego com os estudos, o que é uma das maiores dificuldades relatadas pelos mesmos e a televisão é apontada como principal fonte de lazer e informação.

No cotidiano da sala de aula, observa-se que essa modalidade de ensino é eficaz para alguns alunos que levam a sério e com responsabilidade seu ofício de estudante. Em contrapartida, muitos faltam às aulas e são desinteressados pelos estudos, estão cada vez mais preocupados apenas com o certificado de conclusão do curso. Percebe-se também a falta de perspectiva por parte de alguns alunos que não dão o devido valor ao conhecimento adquirido da escola. A leitura se restringe ao ambiente escolar, não se consolidando como um hábito de entretenimento. Em geral, a clientela não tem acesso a teatros, cinemas ou outras apresentações culturais, sendo a escola o único contato com o universo cultural.



Reflexão e ação pg.60


E se todos os professores e professoras se perguntassem sobre o que os jovens e as jovens estudantes pensam e sentem sobre a escola de Ensino Médio? Seria possível surgirem desta abertura à escuta e ao diálogo alternativas para a superação dos crônicos problemas de relacionamentos e realização da vida escolar que afetam o cotidiano de muitas escolas? O gênero carta pode ser uma boa alternativa para a abertura do diálogo com os jovens estudantes. 

Que tal então produzir coletivamente uma carta dos professores e professoras endereçada ao jovem estudante de sua escola? Esta carta coletiva pode ser afixada num mural, entregue a cada um dos estudantes ou mesmo ser publicada na internet. Acesse no Portal EMdiálogo a carta ao jovem estudante elaborada coletivamente por professores do estado do Ceará: <http://www.emdialogo.uff.br/content/cartaao-jovem-estudante>.

Algumas cartas:

Itabuna, junho de 2014

Oi pessoa querida, como estamos?

Que coisa interessante estamos tão perto todos os dias na escola, e ao mesmo tempo tão longe... pelo menos no que diz respeito a nossos objetivos e perspectivas, o que está acontecendo? Sabe o que eu tenho feito todo fim de semana? Pensar, planejar... pois é, pensar em como ficar mais próximo de vocês, como seduzir a atenção e interesse de vocês... mas parece que não há efeito, minhas expectativas até hoje estão sempre frustradas... estou muito preocupada com seu rendimento, sua falta de interesse e apatia, pois estão comprometendo e muito não só nossa relação entre si, mas nossa relação com algo que está além, as possibilidades e desafios de um mundo que nos cobra a cada segundo mais conhecimento, interação e comprometimento.
Percebo que vocês gostam da escola, se sentem em neste nosso espaço, mas não gostam de estar em sala, e o que é pior não é nessa aula, ou naquela outra, vocês não gostam de nenhuma...
Lembra no dia que sentamos fizemos um círculo e começamos a conversar sobre nossos gostos, anseios e sugestões de aprendizagem? Vocês acharam que eu não tinha planejado aula e estava enrolando... Aquele outro dia que comecei com um assunto gramatical novo vocês não participaram da aula porque segundo vocês não cai gramatica nos concursos e nem no ENEM, “pra que isso tia?”, ah, também aquele outro dia levei textos interessantes inclusive sugerido por vocês, na hora da leitura “affs, não aguento mais ler, ler, ler...” Ai, gente estou confusa, o que será que vocês estão querendo? Um momento de interação para nos conhecermos melhor é confundido com falta de planejamento em uma aula, aula de competências gramaticais e ou de habilidades leitoras e escritas são tradicionais... Me ajudem, não quero continuar o círculo vicioso do finjo que ensino e você finge que aprende, eu acredito em vocês, quero contribuir na formação dos futuros profissionais que cuidarão dos meus filhos, dos meus netos, do meu país, do meu mundo... Mas sozinha não consigo...
Ansiosa por uma resposta de vocês estou e estarei por aqui, por que pra mim desistir é uma palavra que não existe, não cabe... não somos expectadores, somos atores e da melhor qualidade, só precisamos DESPERTAR e agir...

Um beijão,

Alguém que se preocupa contigo e muitoooooooo. (PJ2).

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Exemplo 2: Professora (MC1).

Alcançar o merecido espaço e direitos no trabalho, ou seja, na escola, ainda é um desafio para os professores, que muitas vezes precisam superar obstáculos econômicos-sociais, e emocionais, relacionados ao seu cotidiano. A educação atua para que essa conquista se torne cada vez mais comum e não excepcional como se propagam.
            Em relação ao papel do professor em sala de aula, deve-se implantar ações de cunho artístico, cultural e social, transformando a realidade do discente, com o objetivo de inclusão na realidade da escola.
            Incluir, também, o sujeito nas suas escolhas como rede de apoio, acreditando, este docente, que isso já está sendo trabalhado no colégio onde atua, tendo em vista a flexibilidade da direção e toda equipe de apoio, proporcionando uma prática mais autônoma.
            Acreditando no tratamento justo, a equidade entre os alunos significa que todos devem ser tratados de maneira justa, respeitando as diferenças. Direitos, obrigações e valores precisam ser considerados com igualdade. “Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade.”  Aristóteles.
            Contamos com oportunidades e práticas de trabalho adequadas, permitindo a independência que é a base de sustentação de igualdade. Esse posicionamento garante que as políticas públicas ampliem novas iniciativas, proporcionando diálogo entre os participantes desse “Babel”. Não existe culpados.
            Virar o jogo depende também de todos nós, escola, família e Estado. Estamos inseridos num contexto social bem diferenciado, onde o aluno e a família precisa incorporar a ideia de cidadania, devendo a escola respeitar a escolha desse sujeito. No tocante ao Estado, que é o protagonista, está em atraso em relação à educação. O reconhecimento da necessidade de investir muito mais em educação está lançado.
            Possibilidades de intervenção, reunião de equipe de estudo, construção, regras de convivências, onde a escola tem participado ativamente para mudar esse jogo. Geralmente, cobra-se muito a produção intelectual, o pensamento pedagógico, muita prática pelo enraizamento histórico de conservadorismo, que é ainda predominante: a nossa escola ainda é “tradicional” em suas práticas.
            É inegável também que hoje, o pensamento pedagógico crítico tem mais autonomia do que há duas décadas atrás, malgrado não ter sido libertado inteiramente. Cresceu a parte de produção científica, mas ainda é um pensamento em construção e, por fazer parte desse período de tempo em sala de aula, observo muitas questões sendo discutidas, tendo as tendências sido definidas num recorte claro.
            Em sede de conclusão, insta salientar que essa discussão foi criada por este docente, que trabalha com arte e produção textual, fazendo uso das palavras, da arte e do diálogo, para tentar mudar o olhar dos discentes em relação à sociedade, tendo essas estratégias de intervenção em sala de aula se tornado um item baluarte na educação.
Profª MARIA CRISTINA NUNES DOS SANTOS SILVA
ITABUNA – BA, 09/06/2014.
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Itabuna, 20 de julho de 2014.

Olá, Amados e Amadas,

Eu gostaria de iniciar esta carta pedindo a vocês que fizéssemos uma reflexão sobre o tema “Meu Direito à Educação Pública de Qualidade”.
Já faz algum tempo que eu me pergunto diariamente se você tem a consciência do seu direito à educação, direito de fato determinado como um dos direitos humanos essenciais para a vida de todo cidadão brasileiro.
E o Ensino Médio, o que esta etapa representa na vida de vocês? Estas são questões que eu busco respostas todos os dias, quando estou em casa, ou quando chego à escola para me encontrar com vocês, numa tentativa de compreender quais as decisões e caminhos tomar.
Não foram e não são poucas as vezes que eu, juntamente com os seus professores, tentei descobrir as melhores ações para que pudéssemos atender as necessidades reais de vocês. Inúmeras vezes, sentamos e discutimos como planejar um trabalho que os conduza para aquilo que você quer alcançar.
Mas, infelizmente, um número considerável de alunos não quer aceitar as propostas que oferecemos, de modo diversificado, para que assim possam encontrar a portas abertas na sociedade além das grades da escola.
Inúmeras vezes não consegui dormir, ou acordei muito cedo porque perdi o sono, pensando em estratégias para que vocês vejam a escola como um espaço atrativo e agradável para a socialização de conhecimentos e troca de experiências que possam conduzi-los a melhores caminhos.
Confesso a vocês que às vezes me sinto impotente, e que às vezes eu queria ter uma varinha mágica, para que vocês despertassem para o exercício do direito à educação, para que vocês aprendessem, de fato, que a educação pública deveria ser um exemplo de qualidade, e que para isso o seu papel, a sua participação é fundamental.
Digam-me se existe outra forma de se tornar um cidadão consciente, crítico, que saiba lutar por seus direitos, que não seja por meio dos estudos, da leitura e do conhecimento? Porque eu não consigo enxergar outro caminho que não seja nas carteiras das escolas, das universidades, por meio da troca de ideias, de experiências com colegas e professores, da leitura... Enfim, é na escola que temos uma grande oportunidade de virar o jogo, de poder ser alguém melhor a cada dia, de poder adquirir posturas e comportamentos que nos permitam ascender socialmente.
E você, o que você quer da sua escola, dos seus professores? O que você quer do Ensino Médio? De que modo você exerce o seu direito à educação de qualidade?
É você que eu preciso ouvir, para que eu tenha condições e razões para continuar nesta estrada.
Um abraço.
Professora Amanda Nascimento Araújo
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Itabuna, junho de 2014

Queridos jovens alunos, pode-se perceber através dos olhos de cada um a imensa necessidade e vontade de crescer que todos possuem, a vontade de se tornar independente e realizar metas e sonhos. Muitas vezes é difícil expressar essa vontade quando não se pode ser entendido, pois muitos não conseguem enxergar que o comportamento contraditório pode ser uma forma de protestar a insatisfação diante do possível pouco interesse dos órgãos responsáveis pelo seu desenvolvimento estudantil. Muitas vezes pode ser difícil continuar com poucos recursos necessários para isso, outras vezes porque muitos que convivem no ambiente escolar com vocês não sabem o que se passa na casa de vocês, algo que pode tirar completamente a atenção e preencher a cabeça de preocupações.
Mas o que quero informá-los é que mais que um professor, somos pessoas que estão em um convívio diário e acaba se tornando uma família, nada mais prazeroso do que viver em paz em família e é isso que quero lhes propor. Devemos desenvolver uma relação de confiança e incentivo uns para com os outros, uma relação amigável em que pode-se saber que um está ali sempre que o outro precisar, pois o professor é alguém com papel importante na formação de caráter. O que quero lhes propor é que sempre que achar que algo não estiver ocorrendo bem, converse com o seu professor, fale para ele o que te aflige e o que não está indo bem, certamente ele terá alternativas para que isso se resolva e assim você saberá que sempre vai existir alguém para te auxiliar.
Professor de Educação Física.


ETAPA I - CADERNO III

Sumário
Introdução / 5 
1. Pressupostos e fundamentos para um ensino médio de qualidade social: sujeitos do ensino médio e formação humana integral / 6 
1.1. A necessidade de superar o caráter enciclopédico, dualista, fragmentado e hierarquizante do currículo do Ensino Médio / 6 
1.2. Em defesa de uma perspectiva curricular menos fragmentada e mais integrada / 8 
1.3. O reconhecimento do currículo como uma construção coletiva / 11 
1.4. O reconhecimento das dimensões explicativas e prescritivas do currículo / 12 
2. Dimensões da formação humana: trabalho, ciência, tecnologia e cultura e os sujeitos do ensino médio/17 
2.1. Um convite ao estudo e à reflexão a partir do fazer pedagógico e do ser professor / 17 
2.2. Sujeitos do ensino médio, conhecimento escolar e as dimensões do trabalho, da ciência, da tecnologia e da cultura / 18 
2.3. Os conceitos estruturantes do ensino médio na perspectiva da formação humana integral / 22 
3. Uma ação curricular integrada para uma formação humana integral / 27 
3.1 O resgate do conhecimento escolar no campo do currículo / 27 
3.2. O sentido da formação humana integral / 31 
4. A integração curricular a partir das dimensões do trabalho, da ciência, tecnologia e cultura na prática escolar / 36 
4.1. O currículo do ensino médio e as dimensões do trabalho, da cultura, da ciência e da tecnologia / 36 
4.2. Caminhos possíveis na construção de uma perspectiva curricular integrada / 41 


Estudos individuais referentes ao envio do caderno III e discussão das questões expostas no caderno e escritas no arquivo em Word, tendo como destaque as atividades “Reflexão e Ação”.
Os professores iniciaram a leitura do caderno e as discussões foram iniciadas. Surgiram questões interessantes. Vejamos algumas:

“As DCNEM, com todo respeito, não são tão claras em seus objetivos pedagógicos quanto as OCEM. Por isso, entendo que a leitura do primeiro documento deve ser acompanhada pela leitura do segundo. Nas OCEM, de fato, encontramos parâmetro para o trabalho em sala de aula. As DCNEM são muito mais ligadas a estrutura do ensino médio que à formação do professor em si.” (PR1)

“As Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio, propõem a diversificação e a flexibilização curricular, adequando o currículo a cada escola de acordo com as necessidades dos alunos e do meio social. Dessa maneira, os professores podem assumir parte da responsabilidade na elaboração do currículo, uma vez que conhecem os alunos e a realidade escolar.
O documento destaca também a importância da interdisciplinaridade e da contextualização. Por meio da interdisciplinaridade é possível estabelecer o diálogo entre as disciplinas e superar a fragmentação das informações, e dessa forma torna-se possível transformar a prática pedagógica em uma atividade significativa.” (EJ2)

“É inquestionável e muito discutida a influência que a leitura tem na formação humana, o papel dos livros, da leitura e do conhecimento da literatura na construção da identidade cultural, comunicativa e intelectual do indivíduo. A literatura traz ao leitor diferentes mensagens, indagações, inquietações, permitindo que ele assuma uma atitude crítica em relação ao mundo.
A presença da Literatura nas aulas desenvolve não só o senso crítico, o aluno leitor, desenvolve com mais facilidade a capacidade argumentativa e também da escrita, a sensibilidade, a fantasia... As aulas que têm textos literários como norteadores do conhecimento, propiciam aos educandos uma exploração de inúmeras possibilidades de desenvolvimento social, emocional e cognitivo.
Pode-se afirmar então que as práticas de aprendizagens que envolvem a leitura de textos literários forma um leitor ativo e consciente de que o texto exige seu envolvimento e implicação no processo de leitura. Essa ação gera hábitos de reflexão, de interrogação e de crítica que, por sua vez, altera o processo de compreensão do texto, absorvendo-o, não de forma estereotipada, mas sim como uma agente transformador de sua própria realidade.” (PE1)

“Visando que a sociedade contemporânea vive profundas alterações de ordem tecnológica e econômica, e que essas transformações promoveram não só o desenvolvimento científico e tecnológico, mas também a vida social, modificando, principalmente, o processo produtivo que se intelectualizou e cada vez mais se volta para a tecnologia, exigindo do mercado um novo profissional.
 Pensando nessa realidade a sociedade contemporânea exige uma educação diferenciada, uma vez que a tecnologia está impregnada nas diferentes esferas da vida social. Acredito que as aulas realizadas fazem muito além do que a preparação para o mercado de trabalho, embora ela contribua para essa tarefa. A maior preocupação é formar para a cidadania, atualizando socialmente e tecnologicamente os jovens cidadãos. Isso implica a preparação para a vida, formando o aluno de um saber crítico, para que ele seja o sujeito consciente do seu papel de cidadão, protagonista de sua própria história.
Por esse motivo as aulas de Língua Portuguesa são preparadas com o objetivo de formar um sujeito que seja capaz de desenvolver a capacidade de trabalhar em equipe, capacidade de exercer múltiplos papéis e executar diferentes tarefas, autonomia intelectual e de decisões, capacidade de solucionar problemas e principalmente desenvolver um pensamento crítico. Dessa forma as aulas tentam contemplar os critérios definidos na LDB que almejam a preparação para o trabalho e a cidadania do educando de modo que este seja capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação.” (PE1)

“É preciso assegurar que um conjunto de conhecimentos e saberes científicos, éticos e estéticos sejam garantidos no ensino médio a partir da diversidade dos seus sujeitos. Isso nos coloca diante do desafio de que todos possam ter o direito ao patamar básico nesta etapa de educação básica com um grau de universalidade histórica construída nessa diversidade. Esses são elementos centrais se quisermos superar os limites que historicamente foram sendo postos para a educação brasileira os quais deixaram como legado o desafio de superar a fragilização do sentido da instituição escolar em vista das necessidades e características dos adolescentes, jovens e adultos que frequentam. A meu ver, as escolas públicas, em sua maioria, são pouco atraentes, não estimulam a imaginação criadora e oferecem pouco espaço para novas experiências, sociabilidades, solidariedades, debates públicos, atividades culturais e informativas ou passeios que ampliem os territórios de conhecimento.” (PC1)


Após as discussões ocorreu a socialização das ações realizadas pelos professores de Linguagem para a execução dos projetos estruturantes da escola que ocorrerá no dia 13.08.2014.
Nesse período foram realizados vários estudos como a discussão do regimento escolar, grêmio, colegiado, dados do AVALIE, análise do rendimento escolar, da avaliação unificada entre outros. Para fundamentar melhor nossas discussões sugerimos alguns links para os professores acessarem durante a semana, complementarem seu estudo individual e poderem ser discutidos na próxima 

 http://www.avalieba.caedufjf.net/

Nesse período também realizamos os projetos estruturantes da Secretaria da Educação, inclusive a Feira de Ciências.


FACE, AVE e TAL

 Ganhador do TAL
Ganhadora do FACE


FEIRA DE CIÊNCIAS - 29.08.2014
Responsável: Profa. Lilian Bolaños




 Bengala eletrônica

Caixa coletora de pilha







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