sexta-feira, 27 de março de 2015

O que é o AEE (Atendimento Educacional Especializado)


Um serviço da educação especial desenvolvido na rede regular de ensino que organiza recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem barreiras para a plena participação dos alunos, considerando as suas necessidades específicas.
O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela.

O que faz o AEE
•           apóia o desenvolvimento do aluno com deficiência, transtornos gerais de desenvolvimento e altas habilidades
•           disponibiliza o ensino de linguagens e códigos específicos de comunicação e sinalização
•           oferece tecnologia assistiva – TA
•           adequa e produz materiais didáticos e pedagógicos, tendo em vista as necessidades especificas dos alunos
•           oportuniza ampliação e suplementação curricular (para alunos com altas habilidades)
O AEE deve se articular com a proposta da escola comum, embora suas atividades se diferenciem das realizadas em salas de aula de ensino comum.

Para quem
O AEE se destina a alunos com deficiência, aqueles que tem impedimento de longo prazo de natureza física, intelectual, sensorial (visual e pessoas com surdez parcial ou total)
Alunos com transtorno gerais de desenvolvimento e com altas habilidades (que constituem o público alvo da educação especial), também podem ser atendidos por esse serviço.

Por quem
O AEE para pessoas com deficiência é realizado mediante atuação de professores com conhecimentos específicos no ensino de:
•           LIBRAS, Língua Portuguesa na modalidade escrita, como segunda língua para pessoas com surdez.
•           Sistema Braille, sorobã, orientação e mobilidade, utilização de recursos ópticos e não ópticos.
•           Atividades de vida autônoma.
•           Tecnologia assistiva.
•           Desenvolvimento de processos mentais.
•           Adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos e outros.

Para alunos com altas habilidades o AEE oferece programa de ampliação e suplementação curricular, desenvolvimento de processos mentais superiores e outros.


segunda-feira, 23 de março de 2015

"Sem a Educação e sem o projeto de uma reorganização ab initio da vida humana na sua integralidade, que ela torna possível, não há qualquer meio de sair deste mundo de barbárie e de ignorância, e a existência não passa de um jogo insensato e cruel num palco de sombras que todos acabam por tomar como realidade." (CAULY, 1999: 126)

Colocando-nos como operadores das possibilidades de transformação do status quo do Ensino Médio, acreditamos nas políticas públicas que legitimam não apenas o acesso, mas a permanência e o sucesso dos sujeitos às escolas, objetivando uma verdadeira Educação de Qualidade. Portanto, torna-se o PACTO a possibilidade de diagnosticar, analisar, planejar e executar ações, pelos atores do ambiente escolar, viabilizadoras dessa transformação.


O espaço pedagógico

Partindo-se do princípio que o professor busca ressignificar sua prática pedagógica e que está sempre em busca de novos caminhos para a sua atuação profissional, vê-se na proposta do Pacto pelo Fortalecimento do Ensino Médio, sobre a temática “Sujeitos do Ensino Médio e Formação Humana Integral” uma oportunidade de reflexão sobre a referida prática e de acordo com a necessidade, promover futuras intervenções na realidade escolar a que pertence. Para tanto, acredita-se que uma relação pedagógico-afetiva é fundamental para estabelecer no ambiente de ensino, uma atmosfera harmoniosa e estimulante, já que o aprendizado ocorre mais facilmente quando se constroem relações de cordialidade e confiança mútua, ainda que dentro de contextos que enfoquem procedimentos e regras organizacionais. Tal enfoque pode ser corroborado no fragmento de Paulo Freire quando diz que:

"[...] o espaço pedagógico é um texto para ser constantemente ‘lido’, ‘interpretado’, ‘escrito’ e ‘reescrito’. Neste sentido, quanto mais solidariedade exista entre o educador e educandos no ‘trato’ deste espaço, tanto mais possibilidades de aprendizagem democrática se abrem na escola." (FREIRE, 1996, p. 97).

quinta-feira, 19 de março de 2015

Stand Origem Bahia, durante o III SIIG (2014) em Ilhéus. 

CACAU: história e tradição da região nas escolas do Sul da Bahia.

Luciane Aparecida Goulart.

Dentre as muitas críticas feitas ao Sistema de Educação e, particularmente, às escolas, está aquela de que o espaço escolar não está sintonizado com o que ocorre na sociedade, e isso levaria ao desinteresse, evasão escolar, violência, entre muitos outros problemas.
Na perspectiva de trabalhar os conhecimentos e saberes locais, as Indicações Geográficas, mais conhecidas pela sigla IG’s podem ser instrumento de valorização de tradições e da cultura local.
As Indicações Geográficas (IG) “são ferramentas coletivas de proteção e promoção comercial de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. [...] além de proteger, deve promover os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível” (BRASIL, 2010, p.9).
As Indicações Geográficas, por valorizarem pela diferenciação (o que é uma estratégica antiglobalizante) a produção tradicional e atribuir valor histórico-cultural, também permitem trabalhar com a autoestima de uma região, promovendo sua história e costumes, sem impedir o progresso técnico e a diversificação.
Para que uma IG seja estabelecida, é necessário o apoio o e reconhecimento do Estado, mas trata-se de um ativo de Propriedade Intelectual (PI) pertencente às organizações de produtores, o que envolve intenso trabalho de conscientização, convencimento e organização de uma complexa rede de relações sociais.
Nos últimos anos, instituições de ensino, apoio empresarial e pesquisa (CEPLAC, IFBaiano, UESC, FIEB) e produtores de cacau têm se mobilizado para buscar políticas públicas que revalorizem e tragam sustentabilidade econômica, social, ambiental para o mais tradicional cultivo da região: o cacau.
O Brasil é o quinto produtor mundial de cacau, já tendo sido, por muitos anos, o primeiro. É também, o único país que possui toda a cadeia produtiva do cacau (HOLANDA, 2012), tendo o cultivo sido permitido já em 1679, através de Carta Régia (CEPLAC, 2013).
 De acordo com alguns historiadores e pesquisadores (RIBEIRO, 2001; MENDES COSTA, 2012, BAIARDI; TEIXEIRA, 2010), o cacau foi introduzido no sul da Bahia em meados do século XVIII.  Sementes do cacau já haviam sido distribuídas pela região a partir de plantações em Camamu, no ano de 1802 e formaram a base de territorialização da lavoura. No entanto, o plantio comercial do cacau teve início na década de 1830, quando efetivamente a região começou a ser desbravada (RIBEIRO, 2001; MENDES COSTA, 2012; CEPLAC, 2013). A adaptação do cultivo ao clima, solo e à paisagem do sul da Bahia levaram esta região a ser a maior produtora do país, gerando riquezas, criando cidades e uma cultura própria.
Segundo Setenta e Lobão (2012, p. 44), a região cacaueira ocupa uma área de cerca de 92.000 km2 e tem no cacau-cabruca um elemento de identidade, de sustento econômico e de saber-fazer. O sistema cabruca é definido como “[...] predecessor dos sistemas agrossilviculturais (agroflorestais), apresenta melhor eficiência ambiental, potencialidade em propor inclusão social e rentabilidade sem erradicar a mata original [...]”. Ainda são atribuídos ao sistema cabruca alguns elementos positivos como a “produção sustentável de madeira, flores, fármacos e outros produtos [...]” (SETENTA; LOBÃO, 2012, p. 51).
Neste cenário, a Indicação Geográfica (IG) pode ser um dos instrumentos de que a região precisa para ter desenvolvimento e sustentabilidade. Tem havido uma série de estudos científicos que dão suporte à proposta de uma IG “Sul da Bahia” que acompanharia o cacau produzido na região, aumentando seu valor, além de grande mobilização de autoridades locais, estaduais e nacionais (em 2014, ocorreu em ilhéus o maior evento sobre IG no país, o III Simpósio Internacional de Indicações Geográficas), mas estes esforços precisam ser combinados com a conscientização das pessoas, em especial das novas gerações, deste importante valor que temos e que é só nosso.
Recentemente, produtores de nossa região tiveram seu cacau premiado no Salão de Chocolate de Paris como entre os melhores do mundo. O Sistema Cabruca (que ajudou a manter a Mata Atlântica) foi o único sistema agroflorestal a representar o Brasil na Conferência Rio+20 e todo este reconhecimento envolve trabalhos das áreas do conhecimento.  
Concluindo, as dimensões das Ciências, Tecnologia, Cultura e Trabalho podem e devem ser discutidas no espaço escolar tendo como um de seus eixos o cacau. Para isso, é necessário que as escolas discutam este tema, nos seus vários aspectos, como tema de Ciências, particularmente Biologia, de História, de Geografia, Sociologia, etc. Na Europa, onde há milhares de IG’s reconhecidas oficialmente (talvez a mais conhecida seja a região de Champagne, famosa pelo seu vinho espumante), é comum que as IG.s de cada região sejam apresentadas nas escolas, rotineiramente, como parte do processo de valorização cultural dos lugares e de sua gente. O cacau ainda faz parte do cotidiano de nossos alunos e de suas famílias. Acredito que vale a tentativa de trabalhar esse tema e buscar, talvez, bons resultados.


REFERÊNCIAS:

BAIARDI, Amílcar; TEXEIRA, Francisco. O desenvolvimento dos territórios do Baixo Sul e do Litoral Sul da Bahia: a rota da sustentabilidade, perspectivas e vicissitudes. Salvador /Bahia, 2010.

BRASIL. Instituto Nacional de Propriedade Industrial e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Indicações Geográficas Brasileiras. Brasília: SEBRAE, 2010.

BRASIL. Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Acordos da OMC. Disponível em http://www.mdic.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=367. Acesso em: 29/10/2013.
CEPLAC. http://www.ceplac.gov.br/radar/radar_cacau.htm. Acesso em: 16 de outubro de 2013.

HOLANDA, Mônica. Chocolate para o mundo ver. Jul/2012. Agência ProdetecDisponível em: < http://www.agenciaprodetec.com.br/especiais/275-cacau-apos-crise-transformacao-e-mercado-em-alta-.html>. Acesso em 16 de outubro de 2013.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Bahia. Disponível em: < http://www.ibge.gov.br/estadosat/temas.php?sigla=ba&tema=contasregionais2010>. Acesso em: 2  nov.  2013.

MENDES COSTA, Francisco. Políticas públicas e atores sociais na evolução da cacauicultura baiana. Vila Velha, ES: Opção Editora, 2012.

Relatório Técnico para prestação de contas. Salon du Chocolat. 31 de outubro a 4 de novembro, Paris, França. Ilhéus: Instituto Cabruca, 2012.

RIBEIRO, André Luís Rosa. Família, poder e mito: o município de S. Jorge dos Ilhéus (1880-1912). Ilhéus: Editus, 2001.

SETENTA, Wallace; LOBÃO, Dan Érico. Conservação Produtiva: cacau por mais 250 anos. Itabuna-Bahia. 2012. 

Sempre em busca do aprender...

Esse curso proporcionou novas aprendizagens.